terça-feira, 3 de novembro de 2009

AO VÔO DE SANTOS DUMONT

A transição do século XIX para o século XX é mesmo muito fantástica, pelo menos no que diz respeito à questão da tecnologia e modernidade da época, que se iniciou com a influência européia advinda da Segunda Revolução Industrial Cientifíco-Tecnológica. Se pensarmos na literatura, na arte, na filosofia e nas invenções percebemos que existiram vários pensadores que muito contribuíram à produção da ciência contemporânea.
Fosse para promover discussões científicas ou por precavida representação política, a imprensa estava sempre presente nessas questões em nome de um patriotismo nascente. Desde o fim da década de 1890 até os anos 10, esteve presente em muitos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outros jornais das pequenas cidades do interior, a evolução das invenções de Alberto Santos Dumont.
Sim, o nosso famoso Santos Dumont, entre suas aventuras com os projetos de balão, dirigível, monoplano, helicóptero, biplano e hidroplanador, sofreu mais um acidente em 1901 quando aceitou o desafio de partir de Saint Cloude (França), contornar a Torre Eiffel e regressar ao ponto de partida em 30 minutos no máximo. Em 1902, acidentou-se também em Mônaco e o príncipe Alberto I, percebendo a magnitude das invenções do brasileiro, o convidou para continuar suas experiências no Principado.
O interessante é que os franceses articularam uma campanha a fim de arrecadar fundos para a construção de uma nova aeronave de Santos Dumont, e a imprensa do Rio de Janeiro - com o Jornal do Brasil, São Paulo - com o jornal Estado de S. Paulo, e Buenos Aires – com o jornal A Prensa, aderiram à idéia. Com o poder de comunicação da imprensa, a notícia chegou a vários cantos do país e espalhou-se também pelo sertão barretense e... adivinhem? O nosso jornal O Sertanejo também aderiu à campanha e muitas pessoas, em 1902, doaram muitos contos de réis para a construção da nova invenção de Santos Dumont.
Foram aproximadamente quarenta pessoas em Barretos que doaram dinheiro, por intermédio do jornal Estado de S. Paulo, entre tais estão os nomes do ex-intendentes municipais Silvestre de Lima, Raphael Brandão, Pedro Paulo de Souza Nogueira, João Machado de Barros; personalidades como Cel. Almeida Pinto, Padre Francisco Valente, Sebastião Falcão e muitos outros.
Por fim, ainda não sabemos como terminou a arrecadação de dinheiro à campanha, mas, podemos dizer que, de certa forma, os barretenses contribuíram à evolução dos projetos do “inteligente e intrépido aeronauta brasileiro” – palavras de O Sertanejo. Ao vôo de Santos Dumont foram concedidos alguns vinténs e, por sua inigualável persistência, a humanidade desfruta hoje de grandes tecnologias.

REFERÊNCIAS: O Sertanejo – 02/03/1902
www.anac.gov.br

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 30 DE OUTUBRO DE 2009.

O NACIONALISMO DE OUTRORA... E AGORA?

No tempo presente, o Brasil tenta buscar o significado de sua identidade nacional ao indagar os elementos que caracterizam a origem cultural dos diversos povos que habitam sua tamanha extensão. Durante o final do século XIX e o decorrer do século XX vários intelectuais atentaram-se a questão da identidade cultural do Brasil, bem como elaboraram projetos de nação com a necessidade de aparentar “união” perante a República brasileira. Entretanto, percebe-se que o sentimento de nacionalismo, outrora praticamente “outorgado” nos indivíduos brasileiros através de manifestações cívicas, agora passa por uma carência incessante.
No início do século XX o sentimento patriótico tomou conta das discussões intelectuais através do estímulo imperialista europeu, e uma das formas de expressão de patriotismo foi à obrigatoriedade do alistamento militar apresentado por Olavo Bilac na década de 10. Na primeira fase da República entraram em cena algumas idéias separatistas entre os estados brasileiros, por isso, era necessário desenvolver o ideal de um Brasil como pátria de todos, isto é, um sentimento de nação. É claro que o meio mais hábil de transformação social é a “escola”, por isso, foram elaborados livros-didáticos que exaltavam um Brasil rodeado de grandes heróis nacionais, com um passado harmonioso e único, confiante em seus chefes políticos e recebedor de glórias militares. Este imaginário patriótico das escolas republicanas acabou por caracterizar o futuro “nacionalismo de direita” da Era Vargas e Ditadura Militar pós-1964, o que significa a criação de um nacionalismo exacerbado, coercivo e tão defensor da idéia de união, que, evitava a importância das diferenças regionais, sociais e culturais do país.
Todavia, a partir da segunda metade do século XX e início do século XXI, o nacionalismo acabou por se neutralizar com a vinda do mundo globalizado, onde a nacionalização de qualquer setor governamental, como a economia, foi, e ainda é, considerada uma espécie de “bloqueio” dos projetos capitalistas. Desta forma, os livros-didáticos de História dos anos 60 em diante passaram a justificar os problemas internos do Brasil sob a ótica das relações do país com o mundo. Essa situação ocasionou a deficiência do ensino de História do Brasil, já que não situou devidamente os problemas nacionais e impediu a construção da identidade nacional.
Diante dessas colocações percebe-se a extrema transformação da ideia de nacionalismo, outrora exacerbado e agora carente, deficiente, neutro. A carência de patriotismo no Brasil atual encontra-se, sobretudo, na diluição dos conteúdos do ensino de História do Brasil, pois é nesta ocasião que construímos, não a ideia de pátria única e perfeita, e sim a noção de identidade nacional voltada à caracterização de uma terra miscigenada por diferenças regionais e sócio-culturais. Por fim, a intenção dos historiadores e educadores humanísticos é desafiar a globalização “sem fronteiras” e refletir sobre as questões do próprio país com os próprios brasileiros.

REFERÊNCIA: BITTENCOURT, Circe. “Identidade nacional e Ensino de História do Brasil”.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 23 DE OUTUBRO DE 2008.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ENTRE AS PEDRAS... EIS O EDUCADOR!

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” já dizia a poesia do sábio Carlos Drummond de Andrade, que se adapta a realidade de muitos profissionais de diversos setores do Brasil. Entre estes estão a classe dos professores, ou melhor dizendo “educadores”, nos quais são os profissionais que contribuem com a transformação da realidade que nos cercam. Mas, para conseguir tal efeito é necessário ultrapassar as “pedras” que impedem o sucesso do processo de ensino-aprendizagem e driblar os obstáculos do cotidiano educacional.
As “pedras” que os educadores precisam enfrentar vão desde o sistema educacional brasileiro que aprova a “progressão continuada”, a infra-estrutura muitas vezes falha das escolas, a ausência de consciência de seus colegas enquanto “classe”, a triste falta de interesses de alguns alunos e a carência de tempo para progredir e atualizar seus estudos. Além disso, os profissionais da educação não possuem um específico Código de Ética de trabalho e ainda enfrentam as críticas originárias de pessoas que não vivenciam o cotidiano da sala de aula e não sabem de fato como é a “prática” docente.
A denominação do profissional da educação modificou-se com o passar dos tempos, quando na ditadura militar era conhecido como “mestre” e nos tempos atuais a tendência é o “educador”. Esta mudança de termos que parece tão simples, na verdade conota a verdadeira atividade do educador, onde este profissional age com a intenção de transformar a realidade dos alunos através de práticas pedagógicas previamente estudadas. Nesta nova abordagem, o educador é o mediador entre o conhecimento acadêmico e o saber escolar, fato que, diga-se de passagem, não é nada fácil de concretizar, pois exige uma habilidade extensa acerca da linguagem acadêmica e o vocabulário na sala de aula.
Por todos estes fatores, parabenizo a todos os educadores, àqueles que puderam comemorar ontem, seu dia 15 de outubro, refletindo ou mesmo trabalhando. Ao eterno “mestre” e educador de hoje, que mesmo entre as pedras no caminho da educação, conseguem exceder os problemas e atingir firmemente seus objetivos: EDUCAR – cultivar a sabedoria e sempre aprender com ela. Àqueles que hoje estão desanimados com a profissão, que voltem ao âmago do início da carreira, quando queriam revolucionar o mundo através de suas palavras; àqueles que reinventam maneiras de reeducar os alunos e finalmente àqueles que nos ensinam a ter consciência humana através da leitura, pois é graças a eles que conseguimos chegar até aqui e ler estas poucas linhas. O educador possui um poder inigualável e Carlos Drummond sabia disso... que continuem a caminhar entre as pedras, já que se não fossem elas talvez não sentiríamos o quão belo é educar!

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 16 DE OUTUBRO DE 2009.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

BARRETOS NA HISTÓRIA DO BRASIL

O final do século XIX foi um dos principais momentos de transformação na História do Brasil, onde vários debates acerca do abolicionismo e republicanismo envolviam os intelectuais da época e atingiam também as classes sociais economicamente subalternas. Poucos anos antes da Proclamação da República, veio à tona uma série de discussões, veiculadas através da imprensa paulista, diante da questão do “separatismo paulista” e suas reivindicações políticas ao Imperador Pedro II.
O estudo da historiadora Cássia C. Aducci levanta os artigos publicados pelos separatistas nos jornais paulistas e os relacionam com o contexto político da época, tendo como resultado um importante estudo sobre a micro-história, tornando possível também chegarmos a história de Barretos. Primeiramente, a Província de São Paulo nos anos de 1880, era dona de grande parte do poderio econômico do país, em razão de suas atividades cafeeiras e agrário-exportadoras, porém, alegava que o governo imperial não lhe concedia espaço e autonomia no cenário da política nacional.
Em vista disso, surgiram em 1887 os “separatistas paulistas” justificando seus pensamentos por motivos como: corte de verba a São Paulo, nomeação de interventores não paulistas à Província, progresso espantoso da Província, exigüidade numérica de sua representação e grandeza de sua renda. Entre tais separatistas, Cássia Aducci destacou os nomes de Martim Francisco Ribeiro de Andrada Filho (neto de José Bonifácio, líder da Independência do Brasil) e Joaquim Fernando de Barros. E é através deste último nome que podemos chegar a história de Barretos.
Segundo a historiadora, Joaquim Fernando de Barros aderiu à luta separatista quando publicou no jornal A Província, em 11/02/1887, o artigo “Amigo Nemo” – Nemo era o pseudônimo de Martim Francisco. Porquanto, Joaquim Fernando de Barros também foi o ator da principal obra separatista deste período, A Pátria Paulista, onde foram organizados os artigos de tais separatistas publicados na imprensa. Todas estas informações também constam no jornal de Barretos da época, “O Sertanejo”, o qual no dia 07 de abril de 1901 publicava o falecimento do Juiz de Direito Joaquim F de Barros.
Sim, o mesmo Joaquim Fernando de Barros citado no artigo da historiadora Cássia é o mesmo Juiz de Direito nomeado em Barretos desde 1895, um dos fundadores da Maçonaria Fraternidade Paulista e que hoje jaz no Cemitério Municipal de Barretos. Foi empresário de serraria a vapor em São Paulo, morador de Itu, membro da Assembléia Provincial na época do Império e, depois, na República, membro do Partido Republicano Paulista. Esta personalidade, com certeza, é digna de maiores especulações de estudo, pois traz consigo um passado político curiosíssimo e pode-nos ajudar a contextualizar a história de Barretos com a História do Brasil, tornando possível o preenchimento de algumas lacunas da história do período republicano barretense.

REFERÊNCIA: www.scielo.org

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP) EM 09 DE OUTUBRO DE 2009.

CRIME NAS LINHAS DE “O SERTANEJO”

Barretos já foi cenário de turbulentas agitações populares por conta de assustadores crimes que aconteciam no final do século XIX e início do século XX, em pleno início da população barretense, onde eram muito comuns as migrações de pessoas vindos dos lugares mais diversos do país. Para alguns estudiosos da história de Barretos de épocas passadas, este tipo de comportamento era considerado como “falta de civilidade”, mas hoje sabemos que estas atitudes eram efetivadas em razão de vários fatores que vão desde o sistema policial até a questão da mentalidade da época tão influenciada pelos antigos costumes violentos do Brasil Colonial.
Um destes crimes chamou deveras a atenção da população barretense no ano de 1900 e, foi tamanha a agitação popular, que tal crime mereceu uma edição especial do jornal “O Sertanejo” do dia 15 de outubro de 1900. Nessa edição, que neste mês comemora 109 anos de publicação, o boletim especial assustadoramente exaltava: “Crimes espantosos: bigamia ,desonra, infanticídio e parricídio”. Foram levantadas todas as dúvidas que rondavam o caso do desaparecimento e assassinato do lavrador José Roza do Nascimento, conhecido como Juca Branco, morto a tiro de espingarda pelo seu próprio filho Pedro Roza do Nascimento de 18 anos, menor na época.
Foram muitos os motivos do crime e giravam em torno dos abusos que o pai cometia sob suas filhas, enteadas e ex-esposas. De acordo com a perícia executada no local do crime pelo Cel. Almeida Pinto e outros, os jornalistas anunciaram o contexto que levou o filho a matar seu próprio pai, taxado pela população como “monstro”. Os peritos encontraram três esqueletos de crianças embaixo do solo da casa, alguns outros a seu redor, e então entenderam que o finado violentava seus filhos e enteados e depois os matavam. Pedro, então, assassinou seu pai em defesa de sua irmã, de 14 anos, que estava prestes a ser violentada em seu quarto. O mais interessante de toda esta história foi a imagem encontrada debaixo da caixa de arroz, tratava-se de uma figura de Santo Antônio sem a cabeça! Seria somente superstição?
O inquérito policial terminou com a agitação da população pela absolvição de Pedro, que foi julgado e absolvido com voto de Minerva e intervenção do juiz de Direito Joaquim Fernando de Barros, sendo o advogado de defesa o Cel. Almeida Pinto. Entretanto, passado algum tempo, Pedro voltou para casa e foi picado por uma cobra justamente no local onde havia enterrado seu pai. Coincidência? É o que os escritores de “O Sertanejo” indagaram e o que nós, 109 anos depois, ainda podemos pensar. Vale a pena ler mais sobre este caso, que envolve criminalidade, superstição, participação popular, polêmica e história!

REFERÊNCIA: ROCHA, Osório. Barretos de Outrora. 1954 – p. 89 e 90.
Jornal “O Sertanejo” de 1900 a 1902 (Acervo Museu “Ruy Menezes”).

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 02 DE OUTUBRO DE 2009.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A HISTÓRIA, O HOMEM E O COMPUTADOR

Em todas as sociedades históricas existiram tecnologias para o condicionamento da sobrevivência e o aprimoramento do trabalho humano. O homem necessitou de exercitar o cérebro construindo engenhocas a fim de desenvolver técnicas de melhoramento de suas atividades. Foi, desta maneira, que surgiram as primeiras máquinas de somar na China, as técnicas da medicina egípcia, os jogos da Grécia Antiga, os aparelhos mecânicos dos séculos XV e XVI da expansão ultramarina e até os aparelhos de tecelagem manual dos séculos XIX e XX. No nosso caso, o século XXI é praticamente dependente de suas tecnologias e a base de tudo isso, isto é, a “respiração” do mundo globalizado atual é o computador.
O contexto histórico do surgimento do computador não foi muito feliz, pois esta máquina, na tentativa de se aproximar das representações lógicas do cérebro humano, surgiu em meio a Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, era necessário criar máquinas que reproduzissem as tabelas e gráficos para o lançamento automático de projeteis.
Em 1946, foi criado o ENIAC (Eletronic Numerical Integrator and Calculator), aquele famoso computador de grande porte, projetado para desenvolver cálculos matemáticos mais complexos, nos quais as antigas máquinas de somar não resolviam. Foram elaboradas, porquanto, novas “lógicas matemáticas” que permitiam resoluções de problemáticas como, por exemplo, raiz quadrada e potenciação.
Em seguida, o mundo entrou no período da Guerra Fria e os EUA e a U.R.S.S disputavam a hegemonia ideológica do mundo e o poderio bélico de seus países através das produções científicas. Neste contexto, foi criada a bomba atômica e desenvolvidos armamentos altamente destrutíveis, de sorte que o mundo vivia amedrontado em meio a tantas ameaças capitalistas versus socialistas. Em 1951, o computador passou a ser distribuído em série e somente a partir dos anos 70 e 80 chegou em países como o Brasil. Sendo válido ressaltar que, o Museu “Ruy Menezes” possui em seu acervo expositivo um Computador Prológica de 1983.
A evolução do computador atravessou as expectativas da humanidade e cada vez mais nos surpreende, seja pelo tamanho cada vez menor ou pelas múltiplas funções encontradas em uma única máquina. Por fim, tudo seria perfeito se esta tecnologia fosse bem distribuída e toda população tivesse acesso e conhecimento sobre esta ferramenta, na qual passou por um processo histórico desde tempos antigos para, enfim, desembocar na era atual e auxiliar nossa própria “vivência”. Só é preciso que a humanidade saiba discernir as limitações entre “homem” e “máquina”, mas isso já é outro assunto...

REFERÊNCIA: Enciclopédia Prática de Informática. Editora Abril: 1984.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 25 DE SETEMBRO DE 2009.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O SEGREDO DE CABO VERDE

A África é um continente, antes de qualquer coisa, persistente e resistente. Resistente no sentido de que mesmo com todo o contexto histórico da colonização horrenda que vivenciou, persiste hoje no desenvolvimento de muitos de seus países. A imagem da África lançada pela mídia como um continente subdesenvolvido e passível de violência é o que infelizmente fica na mente de muitas pessoas e as fazem ingerir um preconceito deslumbrado. É claro que violência, fome e miséria estão presentes neste continente, assim como em vários outros países, mas a África conta com a busca da união e da identidade de seu povo para ascender a chama do desenvolvimento.
Para desvendar tamanhos preconceitos quanto à imagem da África, muitos africanos estão presentes no mundo todo e através de conferências ou simples palavras demonstram a evolução de seu continente. Um destes célebres africanos é o Sr. Daniel António Pereira, Embaixador do Cabo Verde no Brasil, no qual proferiu uma palestra sobre seu país e argumentou sobre a história de Cabo Verde e sua situação atual.
Cabo Verde, como o Brasil, foi colônia de Portugal por muitos séculos e o motivo maior da colonização certamente foi sua posição geográfica, que na época eram dez ilhas isoladas no Atlântico. Assim sendo, tornava-se fácil o tráfico negreiro dos escravos ladinos e a rota marítima para a exploração dos demais territórios africanos. As ilhas de Cabo Verde somente se unificaram e conseguiram a Independência em 1975 e, a partir de então, os caboverdianos puderam lutar em prol da nação. Este momento pós-independência criou oportunidades para a população de Cabo-Verde, que, puderam construir o país a seu próprio modo. Foi então que o Sr. Daniel, jovem na década de 70, resolveu graduar-se em História e interessou-se em estudar a história de Cabo Verde, que outrora era somente contada pela História de Portugal. A história de Cabo Verde foi então construída através de pesquisas científicas feitas pelo próprio Sr. Daniel e outros.
Hoje, o país possuí 10% de analfabetos (rumo ao 0%), expectativa de vida de 69/72 anos, taxa de mortalidade baixa e estrutura tecnológica em ritmo de avanço com as fibras-ópticas submarinas. De acordo com o Embaixador, o segredo do ritmo do desenvolvimento de Cabo Verde está na aplicação total do investimento internacional no progresso próprio do país, isto é, sem desvios de verbas, sem corrupção! Cabo Verde, porquanto, é um dos exemplos dos países africanos que estão em via de desenvolvimento e, por maiores que foram as conseqüências do desastre colonial, conseguiram se unirem e superar os problemas iniciais. Que isto sirva de exemplo a nós, brasileiros, tão grandes em território, mas tão pequenos em identidade e união.

REFERÊNCIA: Palestra do Sr. Daniel António Pereira em Bebedouro em 11/09/2009.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 18 DE SETEMBRO DE 2009.