segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA: 120 ANOS!

15 DE NOVEMBRO DE 2009:

120 ANOS DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA!

Momento propício para estudar suas origens, seu dinamismo e sua história.

Trechos do Manifesto Republicano: esta era a República que os republicanos históricos sonhavam para o Brasil, um grupo de 57 homens considerados na época por "baderneiros", a maioria profissionais liberais, baseados em correntes liberais de inspiração francesa e norte-americana, em plena "era monárquica" de Pedro II manifestaram seus ideais e fizeram nascer os moldes iniciais da República brasileira. Infelizmente, no decorrer dos primeiros anos dos governos civis, a República foi abalada por incessantes golpes inconstitucionais e por modelos governamentais, como a Política dos Governadores, totalmente avessos aos ideais do Manifesto Repulicano. 
Obstante de qualquer manifestação cívica, simplesmente recordemos o discurso que se referiam os republicanos históricos ao que deveria ser a nossa REPÚBLICA BRASILEIRA.



A JOVEM REPÚBLICA, LÁ E CÁ (II)



Leitores, continuemos a refletir um pouco mais sobre a Proclamação da República no Brasil, um momento interessantíssimo da nossa História. Depois de entender um pouco sobre a transição do Império para a República, percebemos que a movimentação política aconteceu somente com a classe dominante do país e que os políticos portadores do poder no Império continuaram a exercer seus cargos na era republicana. Oras, e o povo? Como assistiu esta passagem histórica?
Nas palavras de Aristides Lobo, político da época, o povo assistiu a Proclamação da República “bestializado”. Esta expressão, tão instigante, leva-nos a entender a legitimidade da República pela indiferença, ignorância, apatia das camadas populares, onde somente os “homens letrados” entenderam o que acontecia em 1889. Para o povo, que diferença fazia ser o Brasil um Império ou uma República? Os representantes políticos mudariam suas baixas condições de vida? (Permitam-me fazer um parentêse: esta situação assemelha-se também com os dias de hoje, onde muitas vezes entra um novo partido no governo e nada muda na política brasileira).
Pois bem, o “problema” do povo apareceu depois da Proclamação da República, onde era necessário conquistar o imaginário popular à adesão da jovem República. Isto posto, para compensar a falta do envolvimento popular na Proclamação, os políticos, principalmente os positivistas (idealizadores de uma sociedade linear e progressista na República), criaram uma simbologia republicana, que tinha nos “mitos” sua principal fonte para alcançar o imaginário social.
Os símbolos destacados neste período foram a alegoria feminina da República, o herói nacional vestido na figura de Tiradentes, a bandeira e o hino nacional. A República na figura de uma mulher, denominada Marianne (inspiração de um nome comum de mulher na França), representava a queda da imagem masculina do rei e a seqüente “era” de liberdade. O herói nacional Tiradentes, possuía de fato a “cara do povo”, um sofredor da história das lutas nacionalistas do Brasil e sua figura propositalmente passou a assemelhar-se com o rosto de Jesus Cristo. A bandeira e o hino nacional, por fim, exprimiam “bravamente” os ideais positivistas de ordem e progresso, de uma nação em “estágio superior”: a República.
O problema maior deste quadro cultural foi a falta de identidade autenticamente brasileira na instalação da República, devido a forte influência dos ideais franceses, mas isso já é outro assunto... Veremos na próxima semana, portanto, a República cá... em Barretos!

REFERÊNCIA: CARVALHO, J.M. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. 1990.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 13 DE NOVEMBRO DE 2009.

A JOVEM REPÚBLICA, LÁ E CÁ (I)




O feriado da Proclamação da República se aproxima e talvez seja interessante reunir alguns artigos sobre este momento tão denso e, simultaneamente, curioso da História do Brasil. A Proclamação da República brasileira pode ser considerada “tardia” em relação aos demais países latino-americanos, todavia, os movimentos republicanos no Brasil surgiram até mesmo antes da Independência, o “problema” maior para sua efetiva consolidação foi a habilidade política do Império de Dom Pedro II, o qual deixou sua coroa com 49 anos de governo ininterrupto.
Os ideais republicanos no Brasil criaram maiores forças e se expandiram depois da criação do Partido Republicano Paulista em 1870, a publicação do Manifesto Republicano contido no jornal A República assinado por 57 pessoas e a Convenção de Itu realizada em 1873. A postura do Imperador nesta situação era de certa estranheza, já que há rumores que em certa ocasião ele disse a Antonio Prado: “Eu sou republicano. Todos o sabem. Se fosse egoísta, proclamava a República para ter as glórias de Washington”. Pedro II era de fato um homem curioso e pervicaz.
O ano da Proclamação da República foi 1889 e se pensarmos nesta data sublimemente, perceberemos o quão fatídica foi a instalação da República brasileira. Em 1889 a França comemorava o centenário da Revolução Francesa (1789) e, nas comemorações em Paris, o Brasil era a única monarquia presente. Ora, certamente o centenário da Revolução que mais marcou a história da humanidade em derrubar uma monarquia absoluta animou os ânimos das camadas mais radicais até as classes conservadoras do Brasil, mais tarde, também republicanas.
Logo, a República brasileira foi comumente planejada em um conluio envolvendo os militares do Rio Grande do Sul, os cafeicultores paulistas e alguns outros políticos liberais. O golpe foi planejado para o dia 20 de novembro, mas pelo adiantamento dos boatos ocorridos na capital federal de que o Marechal Deodoro iria ser preso pela Guarda Nacional do Império, no dia 15 de novembro foi instaurada a República no Brasil. República, esta, “comandada” por um líder que nunca foi republicano e mal sabia dos boatos a respeito da sua suposta (e falsa) prisão, Marechal Deodoro da Fonseca, só aceitou o cargo de primeiro governante para não subjugar o exército, ao qual era importante membro, à Guarda Nacional. A família real partia ao exílio dois dias depois e, de fato, do dia 14 para 15 de novembro o Brasil dormia Império para acordar República. A missão da política brasileira era, agora, “acostumar” o povo com o novo regime. E falando nisso, e o povo? Onde ficou nesta história? É o que veremos na próxima semana...





REFERÊNCIA: CARVALHO, J.M. Dom Pedro II: ser ou não ser. 2007.

 



ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 06 DE NOVEMBRO DE 2009.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

AO VÔO DE SANTOS DUMONT


A transição do século XIX para o século XX é mesmo muito fantástica, pelo menos no que diz respeito à questão da tecnologia e modernidade da época, que se iniciou com a influência européia advinda da Segunda Revolução Industrial Cientifíco-Tecnológica. Se pensarmos na literatura, na arte, na filosofia e nas invenções percebemos que existiram vários pensadores que muito contribuíram à produção da ciência contemporânea.
Fosse para promover discussões científicas ou por precavida representação política, a imprensa estava sempre presente nessas questões em nome de um patriotismo nascente. Desde o fim da década de 1890 até os anos 10, esteve presente em muitos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outros jornais das pequenas cidades do interior, a evolução das invenções de Alberto Santos Dumont.
Sim, o nosso famoso Santos Dumont, entre suas aventuras com os projetos de balão, dirigível, monoplano, helicóptero, biplano e hidroplanador, sofreu mais um acidente em 1901 quando aceitou o desafio de partir de Saint Cloude (França), contornar a Torre Eiffel e regressar ao ponto de partida em 30 minutos no máximo. Em 1902, acidentou-se também em Mônaco e o príncipe Alberto I, percebendo a magnitude das invenções do brasileiro, o convidou para continuar suas experiências no Principado.
O interessante é que os franceses articularam uma campanha a fim de arrecadar fundos para a construção de uma nova aeronave de Santos Dumont, e a imprensa do Rio de Janeiro - com o Jornal do Brasil, São Paulo - com o jornal Estado de S. Paulo, e Buenos Aires – com o jornal A Prensa, aderiram à idéia. Com o poder de comunicação da imprensa, a notícia chegou a vários cantos do país e espalhou-se também pelo sertão barretense e... adivinhem? O nosso jornal O Sertanejo também aderiu à campanha e muitas pessoas, em 1902, doaram muitos contos de réis para a construção da nova invenção de Santos Dumont.
Foram aproximadamente quarenta pessoas em Barretos que doaram dinheiro, por intermédio do jornal Estado de S. Paulo, entre tais estão os nomes do ex-intendentes municipais Silvestre de Lima, Raphael Brandão, Pedro Paulo de Souza Nogueira, João Machado de Barros; personalidades como Cel. Almeida Pinto, Padre Francisco Valente, Sebastião Falcão e muitos outros.
Por fim, ainda não sabemos como terminou a arrecadação de dinheiro à campanha, mas, podemos dizer que, de certa forma, os barretenses contribuíram à evolução dos projetos do “inteligente e intrépido aeronauta brasileiro” – palavras de O Sertanejo. Ao vôo de Santos Dumont foram concedidos alguns vinténs e, por sua inigualável persistência, a humanidade desfruta hoje de grandes tecnologias.


REFERÊNCIAS: O Sertanejo – 02/03/1902
www.anac.gov.br


ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 30 DE OUTUBRO DE 2009.

O NACIONALISMO DE OUTRORA... E AGORA?

No tempo presente, o Brasil tenta buscar o significado de sua identidade nacional ao indagar os elementos que caracterizam a origem cultural dos diversos povos que habitam sua tamanha extensão. Durante o final do século XIX e o decorrer do século XX vários intelectuais atentaram-se a questão da identidade cultural do Brasil, bem como elaboraram projetos de nação com a necessidade de aparentar “união” perante a República brasileira. Entretanto, percebe-se que o sentimento de nacionalismo, outrora praticamente “outorgado” nos indivíduos brasileiros através de manifestações cívicas, agora passa por uma carência incessante.
No início do século XX o sentimento patriótico tomou conta das discussões intelectuais através do estímulo imperialista europeu, e uma das formas de expressão de patriotismo foi à obrigatoriedade do alistamento militar apresentado por Olavo Bilac na década de 10. Na primeira fase da República entraram em cena algumas idéias separatistas entre os estados brasileiros, por isso, era necessário desenvolver o ideal de um Brasil como pátria de todos, isto é, um sentimento de nação. É claro que o meio mais hábil de transformação social é a “escola”, por isso, foram elaborados livros-didáticos que exaltavam um Brasil rodeado de grandes heróis nacionais, com um passado harmonioso e único, confiante em seus chefes políticos e recebedor de glórias militares. Este imaginário patriótico das escolas republicanas acabou por caracterizar o futuro “nacionalismo de direita” da Era Vargas e Ditadura Militar pós-1964, o que significa a criação de um nacionalismo exacerbado, coercivo e tão defensor da idéia de união, que, evitava a importância das diferenças regionais, sociais e culturais do país.
Todavia, a partir da segunda metade do século XX e início do século XXI, o nacionalismo acabou por se neutralizar com a vinda do mundo globalizado, onde a nacionalização de qualquer setor governamental, como a economia, foi, e ainda é, considerada uma espécie de “bloqueio” dos projetos capitalistas. Desta forma, os livros-didáticos de História dos anos 60 em diante passaram a justificar os problemas internos do Brasil sob a ótica das relações do país com o mundo. Essa situação ocasionou a deficiência do ensino de História do Brasil, já que não situou devidamente os problemas nacionais e impediu a construção da identidade nacional.
Diante dessas colocações percebe-se a extrema transformação da ideia de nacionalismo, outrora exacerbado e agora carente, deficiente, neutro. A carência de patriotismo no Brasil atual encontra-se, sobretudo, na diluição dos conteúdos do ensino de História do Brasil, pois é nesta ocasião que construímos, não a ideia de pátria única e perfeita, e sim a noção de identidade nacional voltada à caracterização de uma terra miscigenada por diferenças regionais e sócio-culturais. Por fim, a intenção dos historiadores e educadores humanísticos é desafiar a globalização “sem fronteiras” e refletir sobre as questões do próprio país com os próprios brasileiros.

REFERÊNCIA: BITTENCOURT, Circe. “Identidade nacional e Ensino de História do Brasil”.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 23 DE OUTUBRO DE 2008.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ENTRE AS PEDRAS... EIS O EDUCADOR!

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” já dizia a poesia do sábio Carlos Drummond de Andrade, que se adapta a realidade de muitos profissionais de diversos setores do Brasil. Entre estes estão a classe dos professores, ou melhor dizendo “educadores”, nos quais são os profissionais que contribuem com a transformação da realidade que nos cercam. Mas, para conseguir tal efeito é necessário ultrapassar as “pedras” que impedem o sucesso do processo de ensino-aprendizagem e driblar os obstáculos do cotidiano educacional.
As “pedras” que os educadores precisam enfrentar vão desde o sistema educacional brasileiro que aprova a “progressão continuada”, a infra-estrutura muitas vezes falha das escolas, a ausência de consciência de seus colegas enquanto “classe”, a triste falta de interesses de alguns alunos e a carência de tempo para progredir e atualizar seus estudos. Além disso, os profissionais da educação não possuem um específico Código de Ética de trabalho e ainda enfrentam as críticas originárias de pessoas que não vivenciam o cotidiano da sala de aula e não sabem de fato como é a “prática” docente.
A denominação do profissional da educação modificou-se com o passar dos tempos, quando na ditadura militar era conhecido como “mestre” e nos tempos atuais a tendência é o “educador”. Esta mudança de termos que parece tão simples, na verdade conota a verdadeira atividade do educador, onde este profissional age com a intenção de transformar a realidade dos alunos através de práticas pedagógicas previamente estudadas. Nesta nova abordagem, o educador é o mediador entre o conhecimento acadêmico e o saber escolar, fato que, diga-se de passagem, não é nada fácil de concretizar, pois exige uma habilidade extensa acerca da linguagem acadêmica e o vocabulário na sala de aula.
Por todos estes fatores, parabenizo a todos os educadores, àqueles que puderam comemorar ontem, seu dia 15 de outubro, refletindo ou mesmo trabalhando. Ao eterno “mestre” e educador de hoje, que mesmo entre as pedras no caminho da educação, conseguem exceder os problemas e atingir firmemente seus objetivos: EDUCAR – cultivar a sabedoria e sempre aprender com ela. Àqueles que hoje estão desanimados com a profissão, que voltem ao âmago do início da carreira, quando queriam revolucionar o mundo através de suas palavras; àqueles que reinventam maneiras de reeducar os alunos e finalmente àqueles que nos ensinam a ter consciência humana através da leitura, pois é graças a eles que conseguimos chegar até aqui e ler estas poucas linhas. O educador possui um poder inigualável e Carlos Drummond sabia disso... que continuem a caminhar entre as pedras, já que se não fossem elas talvez não sentiríamos o quão belo é educar!

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP), EM 16 DE OUTUBRO DE 2009.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

BARRETOS NA HISTÓRIA DO BRASIL

O final do século XIX foi um dos principais momentos de transformação na História do Brasil, onde vários debates acerca do abolicionismo e republicanismo envolviam os intelectuais da época e atingiam também as classes sociais economicamente subalternas. Poucos anos antes da Proclamação da República, veio à tona uma série de discussões, veiculadas através da imprensa paulista, diante da questão do “separatismo paulista” e suas reivindicações políticas ao Imperador Pedro II.
O estudo da historiadora Cássia C. Aducci levanta os artigos publicados pelos separatistas nos jornais paulistas e os relacionam com o contexto político da época, tendo como resultado um importante estudo sobre a micro-história, tornando possível também chegarmos a história de Barretos. Primeiramente, a Província de São Paulo nos anos de 1880, era dona de grande parte do poderio econômico do país, em razão de suas atividades cafeeiras e agrário-exportadoras, porém, alegava que o governo imperial não lhe concedia espaço e autonomia no cenário da política nacional.
Em vista disso, surgiram em 1887 os “separatistas paulistas” justificando seus pensamentos por motivos como: corte de verba a São Paulo, nomeação de interventores não paulistas à Província, progresso espantoso da Província, exigüidade numérica de sua representação e grandeza de sua renda. Entre tais separatistas, Cássia Aducci destacou os nomes de Martim Francisco Ribeiro de Andrada Filho (neto de José Bonifácio, líder da Independência do Brasil) e Joaquim Fernando de Barros. E é através deste último nome que podemos chegar a história de Barretos.
Segundo a historiadora, Joaquim Fernando de Barros aderiu à luta separatista quando publicou no jornal A Província, em 11/02/1887, o artigo “Amigo Nemo” – Nemo era o pseudônimo de Martim Francisco. Porquanto, Joaquim Fernando de Barros também foi o ator da principal obra separatista deste período, A Pátria Paulista, onde foram organizados os artigos de tais separatistas publicados na imprensa. Todas estas informações também constam no jornal de Barretos da época, “O Sertanejo”, o qual no dia 07 de abril de 1901 publicava o falecimento do Juiz de Direito Joaquim F de Barros.
Sim, o mesmo Joaquim Fernando de Barros citado no artigo da historiadora Cássia é o mesmo Juiz de Direito nomeado em Barretos desde 1895, um dos fundadores da Maçonaria Fraternidade Paulista e que hoje jaz no Cemitério Municipal de Barretos. Foi empresário de serraria a vapor em São Paulo, morador de Itu, membro da Assembléia Provincial na época do Império e, depois, na República, membro do Partido Republicano Paulista. Esta personalidade, com certeza, é digna de maiores especulações de estudo, pois traz consigo um passado político curiosíssimo e pode-nos ajudar a contextualizar a história de Barretos com a História do Brasil, tornando possível o preenchimento de algumas lacunas da história do período republicano barretense.

REFERÊNCIA: www.scielo.org

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O DIÁRIO" (BARRETOS/SP) EM 09 DE OUTUBRO DE 2009.